Uma das características dos programas que fazem espetacularização da notícia é que a falta de sinceridade, o mau gosto e a encenação acabam sempre se revelando. É inevitável. Foi o que aconteceu esta semana com o “Balanço geral”, comandado por Wagner Montes na Record do Rio.
Andando raivoso pelo cenário, ele vociferava no tom de sempre e o tema era o assassinato da adolescente Eloá, em Santo André. Vale a pena citar algumas das frases de Montes: “Se eu tô lá nessa hora, largo o aço na cuca dele (Lindemberg). Pow! Era um $a menos pra encher o saco”. Montes coça a cabeça e vai em frente, em tom mais professoral: “Vou falar mesmo, porque às vezes tem que explicar. Gente, eu não sou o dono da verdade. A SWAT, nos Estados Unidos, sai quebrando. E um abraço pro caipira.”
Mais uma volta pelo cenário e vem a maior pensata do programa: “Não podemos criticar a menina. O cara é um celerado, um idiota. Deu o tiro onde? Na virilha dela. É o tiro do esculacho!”. Cada vez mais animado, Montes continua. Agora, aparecem imagens de Lindemberg sendo $. Com olhar raivoso para a câmera, ou seja, para o seu telespectador, ele exclama: “Tá com pena dele? Compra um barraco e vai morar com ele!”.
Até que alguém no ponto eletrônico avisa que o tempo está acabando. Não o tempo do programa. Mas o desse tema. Parece mágica. Em “homenagem a Eloá”, Montes anuncia “três segundos de silêncio”. Depois, com o ar mais tranqüilo do mundo, começa a fazer o merchandising de um produto para emagrecimento. Lindemberg ficou para trás. Fora a falta de civilidade do apresentador, era tudo espetáculo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário